Sabor do Brasil

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Coração alagoano

Pense num mar de águas claras, abraçado por coqueirais, com gente hospitaleira e uma cozinha tropical. Pronto! Assim é o litoral norte de Alagoas. Um paraíso ainda virgem que enche os olhos de quem chega ali. Como sou (completamente) apaixonada pela Bahia, raramente me aventuro em outros destinos quando quero sombra e água fresca. Mas neste veraneio fui conhecer os encantos “das Alagoas” e confesso que estou rendida. Fiquei hospedada na Aldeia Beijupirá Taárrudá, integrada de forma harmoniosa à região. Na chegada, em vez da convencional tacinha de espumante, fomos recebidos com uma tacinha de sorvete de capim santo, preparado ali e muito refrescante (cuidado que vicia!). Quando chegamos à nossa Maloca, como são chamadas as casinhas dos hóspedes, a cama estava toda decorada com flores, formando um coração alagoano (veja no centro da montagem de fotos). Tenho que confessar que foi uma semana difícil…  E as complicações começavam logo cedo: café da manhã com tapioca recheada com coco (minha favorita), cuscuz, fatias de manga dulcíssimas, queijo coalho e todo dia um “dengo” diferente: de bolo de amendoim a bolinho de estudante. Em meio a este banquete nordestino, hóspedes recebem visitas de simpáticos macaquinhos (nas fotos, o verdadeiro e o falso). Em seguida, caminhadas na praia, mergulho nas águas calmas e quentes do mar, banho de rio (um veludo), e mais sol, vento, leitura: existe melhor tradução de férias? O casal que comanda o hotel, Adriana e Joaquim, é craque em te fazer sentir-se à vontade, num clima despojado e atencioso. Sua equipe de funcionários atende a todos com um contagiante sorriso no rosto (veja na foto a adorável Letícia de vestido branco) e uma pergunta feita com aquele sotaque in-crí-vel: “Tão precisando di mais alguma coisa?”. Por trás de tudo isso, está a cozinha inventada por Adriana Didier, que deu origem aos seus outros empreendimentos. Genuinamente brasileira e à base de peixes, frutos do mar e frutas tropicais (observe o camarão empanado com coco e molho de capim santo) oferece um sabor único. A sequência de Beijupirás (peixe que batizou suas casas) é sensacional: beijucastanha, beijucanela, beijupitanga, beijumanga e beijuquecas. Na abertura do menu, a explicação: beiju era o pão dos índios feitos da massa de mandioca. Pirá significa peixe em tupi. Beijupirá é considerado o peixe da sorte e Taárrudá quer dizer Senhor Deus do Amor. Bem, precisa dizer mais alguma coisa? Assim foram as minhas férias, que terminam hoje, mas estão muito bem guardadas. Neste veraneio, meu coração é alagoano.

Mais informações: http://www.aldeiabeijupira.com.br/

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Peter in “Rio” time

(Fotos exclusivas JEFF MOORE/ The Elders/Proibida a reprodução)

Acabo de assistir ao show de Peter Gabriel no SWU pela TV, mas estive com ele ao vivo há duas semanas em uma entrevista exclusiva para a revista O Globo. No show, ele, simpaticamente, leu e só falou em português. Nesses dois encontros, estava de coração aberto. O “New Blood”, título do novo álbum, tá mesmo circulando em sua veia. A apresentação com uma orquestra em Paulínia mostra a grandeza que ele quer alcançar. Seu engajamento é velho conhecido, mas ganhou força com os novos mecanismos tecnológicos, o que o deixa fascinado. Poder acompanhar, de perto, as causas humanitárias por meio de vídeos feitos de celulares e mobilizar campanhas em um ativismo na rede social. É isso que me contou na entrevista, feita na encantadora Santa Teresa (veja, no alto, sua alegria em foto no bairro). Outro momento de emoção foi com a música “Biko”, que encerrou sua apresentação no festival. No Rio, o músico a tocou no Convento de Santo Antônio, no Largo da Carioca, onde fica a Ordem dos Franciscanos. Foi o lugar que escolheu para cantar a música que fez em homenagem ao ativista africano Steve Biko. Os franciscanos fazem voto de caridade e andam somente com a roupa do corpo, doando todo o resto, não por acaso a apresentação sigilosa foi ali (acima, na foto ao piano). Mais uma sintonia: na  entrevista, um dos pontos que mencionou como alternativa para o (imenso) problema social do país foi dar maior qualidade de vida para as pessoas sem condições de escolha viverem onde escolheram. No dia em que a Rocinha foi dominada, banindo a bandidagem, o depoimento de Peter começa a ganhar sentido. E sua música arrepia trazendo esse sangue novo que todo mundo quer ver circular.

* Na foto no bondinho customizado o músico está com o artista popular Getúlio Damásio em Santa Teresa.

http://petergabriel.com/

 

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Música e boxe: Miles meets Hermeto

      Nova York, anos 70. O multi-instrumentista brasileiro Hermeto Pascoal, hoje com 75 anos, nascido em Olho D’água, Alagoas, vai a um show de Miles Davis com o percussionista Airto Moreira que, na época, integrava a banda do legendário trompetista. O encontro entre o jazzista negro e o instrumentista albino soava irreal. Duas figuras ímpares e, aparentemente, opostas. Hermeto não falava uma sequer palavra em inglês, muito menos Miles em português. Trascenderam a tudo isso e encontraram-se na música.  Resultado: Miles gravou duas músicas de Hermeto, “Nem um Talvez” e “Igrejinha” no disco Live-Evil, lançado em 1971 (veja a capa abaixo). As partituras das músicas estão na exposição “Queremos Miles”, com curadoria do francês Vincent Bessières, em cartaz no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), até 28 de setembro. A mostra – imperdível – comemora os 20 anos da morte do gênio de East St. Louis.

Abaixo, o relato que Hermeto me deu sobre o encontro:

  “É engraçado, um dos músicos com quem mais me comuniquei até hoje foi o Miles Davis, sem falar inglês (risos). Estava no show dele e, de repente, ele veio falar comigo. Chegou pertinho de mim, bem-vestido, todo elegante, parecia que lustrava a pele. Com a voz rouca, perguntou para o Airto: ‘quem é esse cara?’ O Airto respondeu: ‘é um maestro brasileiro que veio fazer um trabalho comigo e com a Flora (Purim).’ Em seguida, Miles disse para o Airto: ‘alguma coisa me levou até ele’. Era um músico genial, mas que tinha passado por muita coisa na vida, tinha uma carência. Senti isso na hora. Vi a aura dele: era um encontro pessoal. Ele nos convidou para ir à casa dele, perto do Central Park, e o Airto ficou apreensivo, com medo dele desmarcar. Mas eu sabia que ele não iria fazer isso. Era uma atração mútua. Levei o violão e fiquei tocando, toquei doze músicas pra ele. O Airto estava admirado de ver que ele havia mudado até o jeito, estava calmo, ouvindo. Quando eu acabei de tocar ele disse: ‘que pena que no meu disco não cabem todas essas músicas, senão gravaria todas, vou escolher duas talvez.’ E eu brinquei: não vou te dar todas! O Miles começou a me chamar de ‘albino crazy’. E me chamou para tocar piano com ele num concerto no Japão, convidou o Keith Jarrett e eu. Mas meus documentos atrasaram e não pude ir. Ele gravou duas músicas minhas, ele tocando trompete e eu assobiando. Foi um encontro de irmãos, parecíamos amigos de infância. Muita gente ficou com ciúmes. Ele tinha um ringue na casa dele, era louco por boxe. Veio com as luvas pra mim, me convidando para lutar. Dei um soco nele e fiquei três dias com a mão doendo. Ele só ria e dizia: ‘albino crazy!’

Live-Evil – 1971

(Crédito da foto de Hermeto Pascoal: Daryan Dornelles, a quem agradeço imensamente por ter cedido o belíssimo retrato para este post)

- CCBB: Rua Primeiro de Março, 66, Centro. Informações: 3808-2020, bb.com.br/cultura www.hermetopascoal.com.br

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O descobridor dos 7 mares

 

   Ontem foi uma segunda-feira morna, daquelas em que nada acontece. No final do dia, preguiça garfieldiana e a vontade de ficar embaixo das cobertas. Só um convite para ver Tim Maia pra me tirar de casa (ainda que sem expectativas pois desconfio de musicais). Ao chegar no Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio de Janeiro, uma agitação danada, casa cheia, a Praça Tiradentes toda iluminada. O espetáculo escrito por Nelson Motta com direção de João Fonseca começava a embalar. Entre os convidados, Zé Pretinho para animar a festa. Em pouco tempo, o ator Tiago Abravanel (um monstro no palco!) encarnou Tim de tal forma que não precisava fechar os olhos para lembrar do músico, ouvindo o timbre de voz (parecidíssimo) que ele alcançou. De olhos abertos tava melhor, pois dava pra matar as saudades por completo. Na aparência, no andar, nos trejeitos, no palavriado. E o elenco acompanhando a cadência. De repente, sem esperar, estava ali num show do Tim “e do bom”, como diria ele. Além da emoção de reviver suas histórias, que já havia lido e me deliciado na biografia, veio a sensação: como esse cara faz falta! Que figura autêntica, despudorada, carismática, toda errada, certa, por fim. Bom demais. Todo mundo deveria exercitar mais sua porção Tim Maia. Em casa, acabamos de completar a coleção de cds de Tim (Abril Coleções) e cada um dos discos que chegava era uma comoção. Quase como colecionar figurinhas. Os cds renderam ótimos momentos, cantorias, boas conversas e até dança de música lenta na sala. Assistir ao espetáculo soou como o bônus track da história toda. Que trabalho de documentação do Nelson Motta! Como foi importante sua admiração, parceria e amizade com Tim, ao longo de sua vida e obra e até agora. Nada mal para o artista ter um amigo desse naipe, jornalista, escritor, produtor, incentivador, tudo de primeira. Sagaz, Tim sabia disso e não faltou ao show de ontem. Pôs fim à segunda-feira monótona. Na saída, comentei com o Zé, não o Pretinho, o meu marido, “nossa, como esse Tiago é bom ator”. Ele respondeu. “Não é só bom ator, agora ele é o Tim Maia.”

PS. (Agradecimentos especiais aos queridos Sidimir e Alan que, gentilmente, me  convidaram para o espetáculo)

‘Tim Maia – Vale tudo, o musical’. Teatro Carlos Gomes: Praça Tiradentes, 19, Centro, tel. (21) 2232-8701. Corra! Até 4 de setembro.

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Jardim da infância

Sobremesa "Nossa Flora" do chef Felipe Bronze, do Oro, no Rio de Janeiro

  Estou para escrever esse post há algum tempo. Ter um espaço em branco com total liberdade e sem prazo de entrega é um sonho que, como tantos outros, nem sempre conseguimos realizar na hora planejada. Estive num jantar com um pequeno grupo de amigos no restaurante Oro, do chef Felipe Bronze, no Jardim Botânico, há quase dois meses. Éramos seis pessoas, mas uma convidada faltou, e a mesa redonda que estava reservada pra gente nos pareceu um pouco grande. Perguntamos ao maître, Raul De Lamare, se não era o caso de nos transferir para uma menor. Ele disse que não aconselharia a mudança, pois teríamos ali, ao final do jantar, uma surpresa e o espaço da mesa seria importante. Ficamos imaginando o que viria a acontecer? Brincamos com a possibilidade de sair alguém de dentro de um bolo ou algo do gênero. Devaneios. Bem, chegado o derradeiro momento, a distância que nos separava começou a diminuir. Uma sobremesa foi capaz de nos tornar mais próximos do que se estivéssemos juntinhos. O chef montou os doces na própria mesa, sem usar louça alguma (e olha que as de lá são especialmente curvilíneas). Com nossas colheres, voltamos ao Jardim da Infância experimentando livremente todos as cores e sabores que estavam à frente. Felipe usou os doces para montar uma paisagem que disse representar o Brasil, por isso a intitulou “Nossa Flora”. Eram montanhas feitas de ovos nevados, gotinhas resfrescantes de frutas do Norte como taperebá e cupuaçu (capazes de grandes explosões na boca) e terras de chocolate, branco e preto (bem macias), espaçadas de maneira harmônica. A forma artística como a sobremesa foi montada à mesa nos seduziu, mas prová-la e perceber que também tinha conteúdo, tornou aquela experiência mágica. Naquela ocasião, estávamos a conhecendo em primeira mão, literalmente. Depois ele serviu novamente em um jantar em homenagem ao ator espanhol Antonio Banderas, que ajudei a organizar. Sendo assim, foi minha segunda experiência com a sobremesa. Que agora, sim, entra no cardápio oficial do restaurante para quem pedir o menu degustação longo, com nove pratos. Ter uma mesa em branco também não é nada fácil. E Felipe soube a colorir. Grand finale!

http://www.ororestaurante.com/

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Desconstruindo Marieta

Segundo Ato: Andréa Beltrão e Marieta Severo no Poeirinha, novo teatro da dupla em Botafogo

 

   As atrizes Marieta Severo e Andréa Beltrão acabam de inaugurar mais um teatro no Rio de Janeiro, o Poeirinha. Além de seguirem a profissão com brilho próprio, a dupla contribui para enriquecer a cena carioca. A peça-estréia do novo espaço, que fica ao lado do Poeira, é “Depois do filme”, monólogo encenado e dirigido por Aderbal Freire Filho, em cartaz até 26/06 (mais informações, http://www.teatropoeira.com.br).

  Para a capa da edição deste mês de junho da revista Mais, da Editora Trip, fiz uma entrevista com Marieta (a reportagem está na seção Comportamento). Na ocasião, apurei também seus ensinamentos de como construir uma carreira sólida, como a sua. Com 46 anos de profissão, Marieta, 64 anos, atuou em 30 peças de teatro, 34 filmes, 10 novelas e 8 programas televisivos, conquistando dezenas de premiações.

Abaixo, a conversa em 3 atos:  

Primeiro ato: O ator, primeiramente, tem de querer uma carreira sólida. As coisas hoje estão muito imediatas, mais difíceis do que no meu tempo. Me formei numa época privilegiada, estimulante, densa, cheia de ideais, era mais fácil caminhar nessa boa direção. Hoje, o que ocupa mais espaço é a coisa imediatista, mais vulgar, que se esgota com facilidade. Você tem de se tornar conhecido, estar nas revistas. Acontecimentos sociais não significam nada para essa construção. Você pode querer a carreira pelo que ela vai te dar no momento, o reconhecimento rápido, o dinheiro rápido, o carro do ano, mas isso não será uma carreira sólida. É imprescindível saber fazer as escolhas e não ter pressa, uma inimiga. A profissão de ator depende do seu estofo interior, do auto-conhecimento: você é seu instrumento, vai trabalhar não só com o corpo, mas com o conhecimento que tem de você, do outro, do personagem. Isso requer tempo.

Segundo ato: Estar atento aos seus reais motivos, ao que te enriquece para compor os personagens. Ter discernimento e prestar atenção no seu desejo. Tem uma coisa que me apavora hoje em dia. Você manda uma peça para um ator e ele responde: ‘meu agente vai ler’. Nada contra o agente, eles têm a sua função. Mas como alguém pode construir uma carreira baseada nas escolhas do agente? Não é o ator que vai sentir como aquele texto bate nele e tomar sua decisão? Eu vejo muito agente moldando e direcionando carreiras. Essa parafernália em torno do ator faz com que ele perca a auto-escuta. Não entendo como alguém pode entregar a si próprio para uma outra pessoa. Como você desenvolve o seu critério, o seu desejo, a sua vontade? Quando me dizem meu agente vai ler, eu penso comigo, ‘ah não vai, não.’ E passo para outro ator.

 Terceiro ato: A escolha dos trabalhos deve ser pelo critério artístico, o impulso, a necessidade de estar ali. É uma construção que parte de dentro de você. Se não for verdadeira, se esgota. Há momentos em que você precisa fazer aquele trabalho para pagar o aluguel, claro, a necessidade chama. Mas temos de voltar sempre para questão da solidez. No início da minha carreira, eu não tinha nada planejado, não sabia onde eu iria chegar, mas sempre soube os trabalhos que eu queria, e os que eu não queria, fazer.

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Bienvenido, Banderas!

 O ator espanhol Antonio Banderas chega hoje ao Rio de Janeiro, vindo direto do Festival de Cannes, onde brilhou como estrela do novo filme do seu cineasta-padrinho, Pedro Almodóvar, “A Pele que habito”. Agora ele deixa um pouco de lado o cinema para lançar um novo perfume (The Secret), de aroma envolvente, e mostrar mais uma habilidade, a de fotografar. Fará amanhá uma exposição-leilão com seus cliques e renda beneficente no Palácio da Cidade.

   É a primeira visita do ator à Cidade Maravilhosa. Estive com ele na Espanha, há pouco mais de um mês, na sua casa em Marbella, na Andalucia, para uma entrevista exclusiva da revista Serafina, da Folha S. Paulo (*ver na seção Perfis/Entrevistas. As fotos deste post foram feitas durante a entrevista.) Ele mostrou-se curioso e entusiasmado em conhecer mais o país.

   Aos 50 anos, em plena forma física, o ator tem uma alegria de viver contagiante. Nascido em Málaga, mesma cidade de Pablo Picasso, ele começou sua carreira no teatro na época da movida madrileña, onde foi descoberto cedo por Almodóvar, que o projetou no cinema, e mais tarde em Hollywood. Agora volta às origens. “O reencontro com o Almodóvar é também um reencontro comigo mesmo”, me disse na entrevista. Exigente, o diretor o fez “dançar rock in roll num espaço mínimo”, na busca de uma construção minimalista do personagem. Imagina isso para alguém como Banderas, amante natural do Flamenco. No filme, um trihller, ele encarna um personagem brutal, frio e calculista. Um trabalho e tanto, já que o ator, pessoalmente, é oposto disso tudo. Tem uma simpatia tropical, que cairá muito bem por aqui. Bienvenido, Antonio!

*(Leia a entrevista com o ator Antonio Banderas e também com o diretor Pedro Almodóvar na seção Perfis/Entrevistas deste site)

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Inside Paris

  Depois de passar uma semana flanando em Paris e observando as pessoas e seu comportamento, preparei a listinha abaixo com o que há de mais quente nesta primavera francesa:

Voilá:

- Mulheres de cabelos presos num coque alto e despenteado

- Cidra da Bretanha, servida em taças, copos ou xícaras: a regra é estar geladinha

- Mini-carros (este da foto acima é um lançamento da Renault, Z.E)

- Homens de calça vermelha e bolsa

- Tênis de cano alto com meias estampadas, para meninos e meninas

- Os tradicionais éclairs – ou nossas bombas – confeccionadas com cafés gourmets. (Obs: uma inovação pode ser apostar em novos sabores de éclairs, depois do sucesso com os petit gateaus e macarrons, cada vez mais coloridos e variados.)  

- Produtos gourmets artesanais, de autor

Dica: No Rio de Janeiro, pode-se provar a Cidra na creperia Le Blé Noir. Ali, a bebida de baixo teor alcoólico é servida à maneira bretã, em xícaras de porcelana. Da marca Val de Rance, pode-se pedir a garrafa (R$ 60,00), o pichet (R$ 30,00) ou a taça (R$ 13,00).  Acompanhante perfeito para as (divinas) crepes de trigo sarraceno do lugar. (Rua Xavier da Silveira, 19-A, tel. (21) 2267-6969).  *A foto acima do copo de cidra com a crepe com caviar é do festival de crepes do Sofitel Rio de Janeiro.  

Extra, Extra: Ainda esta semana a Rádio Maravilha trará uma trilha exclusivamente francesa para o ouvinte também viajar por Paris.

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Colegas de classe

    Leia abaixo a entrevista com Débora Bloch e Luiz Fernando Guimarães, publicada na revista Serafina, da Folha de S. Paulo, no dia 27/03. Como estréia amanhã, dia 11/04, a novela “Cordel Encantado”, com essa dupla ilustre, trago aqui a entrevista na íntegra.

    Débora Bloch e Luiz Fernando Guimarães são vizinhos. Moram no mesmo prédio, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Como se imagina, nenhum dos dois freqüenta a reunião de condomínio, encontram-se no entra e saí do elevador e costumam se visitar para bater papo e fumar um cigarrinho. “Temos bom-senso para não invadir o espaço do outro”, diz Luiz. Amigos e parceiros de palco, televisão e humor há vinte e cinco anos, a dupla de atores volta agora a contracenar na próxima novela das seis, “Cordel Encantado”, que estréia em abril na Rede Globo. Em um ritmo de gravações intenso – já foram do Vale do Loire, na França, ao Canindé de São Francisco, em Sergipe – encontraram-se para uma conversa privada a pedido de Serafina. A princípio, ia ser na casa da Débora, que teve um probleminha técnico com uma obra (ao instalar uma prateleira furaram o cano do ar condicionado da sala) e, graças à boa vizinhança, foi só descer um andar para a casa do Luiz. Engraçados por natureza, os dois falaram sério, sobre profissão, amizade e, claro, histórias divertidas da trajetória juntos. “Eu sou a segunda mulher dele”, brinca Débora. “A primeira foi a Regina Casé. Depois ele casou comigo e me traiu com a Nanda (Fernanda Torres). Mas eu sabia que um dia ele voltaria pra mim” (risos). A dupla está também no ar com a reprise de TV Pirata, que os levou a fazer teatro juntos.Tiveram grandes encontros nas peças “Cinco Vezes Comédia” e “Fica Comigo Essa Noite”, que ficou cinco anos em cartaz por todo o Brasil. Sentados à mesa de jantar de Luiz, o papo fluiu assim:

TRABALHAR COM AMIGO:

Débora: A melhor coisa que tem, muito mais fácil, né Luiz? 

Luiz Fernando: Você já tem intimidade. Se bem que no nosso ramo às vezes você não conhece a pessoa e, em dois segundos, está beijando na boca em cena. Mas com amigo é mais direto, a gente sabe como o outro funciona. É bom também para ver a pessoa. A gente tem muitos amigos e não se vê nunca.Talvez isso seja a melhor coisa para a amizade.  

QUANDO A COISA SE COMPLICA: 

 Luiz Fernando: Você não é só um: são dois.

 Débora: Sei que ele vai ser meu parceiro em qualquer circunstância. Se a cena tiver boa, ruim, fácil, difícil, se estiver frio, calor, demorando. Confio na inteligência cênica do Luiz. Ele me melhora.

UM PELO OUTRO:

 Luiz Fernando: A Débora é detalhista, eu sou o cara do esboço. Ela está com um leque na mão direita e não sabe se mantém ou se muda para a esquerda. Eu não passo por isso. Se alguém fala “ficou feio” eu mudo para a outra e pronto.Temos visões diferentes que se completam.

 (Débora pausa para pensar nas características de Luiz.)

 Luiz Fernando: Acho que a minha é: objetivar para acabar aquilo e ir embora para casa e conviver com a vida real (risos).

 Débora: Isso como pessoa… Ele é impaciente, quer resolver. Como ator, tem uma capacidade de desconstrução, de não fazer o óbvio. Bota vírgula onde não se espera. A espontaneidade, contudo, é o mais forte. As pessoas têm a impressão que ele chegou lá e fez intuitivamente. Mas ele sempre vem com a cena estudadíssima para chegar no espontâneo.

 QUÍMICA:

Débora: Para a gente, tudo tem de estar bom, não adianta só a gente estar bom. Faz parte da nossa formação de teatro, o Luiz veio do “Asdrúbal Trouxe o Trombone” e eu do “Manhas e Manias” Num grupo de teatro você cria junto.

Luiz Fernando: Formamos um timezinho.

CARREGAMENTO DE DIET SHAKE

 Luiz Fernando: Tivemos uma época da peça “Fica Comigo Essa Noite”, em São Paulo, em que a gente tinha permuta com uma churrascaria e comíamos desgraçadamente. Passamos o resto da temporada tentando emagrecer. A gente tomava aqueles shakes de manhã, de tarde e de noite. Fomos para o resto do Brasil com esses produtos levados em caminhão, com medo de não encontrar nas outras cidades. Andávamos em qualquer parque, corríamos, íamos para as academias. É uma comédia agora, mas foi semi-trágico.

 Débora: A gente entrava em qualquer aula, para glúteo, nadava, era uma obsessão.

 BIGODE NELA

Débora: Na época da TV Pirata o Luiz usava um bigode colado e a gente tinha cenas de beijos. Reparei que ficava cheia de pêlo na boca e falei para ele fazer mais trucado. Foi só eu falar, que ele me agarrava ainda mais. Na hora da gravação, eu fugia e a gente caia na gargalhada. A cena ficava espontânea.  

Luiz: Ficávamos horas no cenário, na cama, e resolvemos fazer uma peça juntos. Agora estamos com essa vontade de novo.

DIVERSÃO &TRABALHO

 Luiz Fernando: Eu não dou risada de nada. Quase não rio de peça.  As pessoas falam, nossa você é tão sério. Sou palhaço, mas não sou de ficar rindo. É raro eu rir de uma coisa, porque me atrapalha o pensamento, não ouço quando estou rindo. Peça de teatro que as pessoas riem eu não rio. As pessoas falam, cara você não gostou? Gostei. Adorei. Estou rindo por dentro. Eu rio muito por dentro. Vejo a peça e vou montando outra na cabeça. Coisa de maluco, de gente perturbada. (risos)

 Débora: No entanto, a gente ri o dia todo com você né, Luiz ? Ele é sério mesmo, mas se coloca em estado de diversão, precisa se divertir para que fique divertido. Isso eu aprendi com você.

 O PAPEL QUE UM QUER DO OUTRO

 Luiz Fernando: Queria ver a Débora fazendo uma guerreira, não em filme brasileiro. Eu adoro filme de aventura americano. Dessas que vêm montadas em dinossauros voadores. Um Avatar da vida.

 Débora: Eu amaria ver o Luiz fazendo Hamlet, ele faria muito bem, Shakespeare, textão.

 Luiz Fernando: Para você ver como a gente pensa complemente diferente (risos).

 DE LUIZ PARA DÉBORA: Quando você está fazendo televisão está representando para quem?

 Débora: Para você (risos).

 Luiz: E se eu não estiver em cena? Eu ensaio para a técnica, coisa de teatro. A gente faz para o público que está ali.Tem ator que faz para si. A câmera para mim não é nada.

 Débora: O ator que faz para a câmera está representando sozinho. Penso muito no Amir Haddad (diretor teatral) que me ensinou que o mais importante é a história que você está contando, estar no sentimento, não na forma. Na TV é muito fácil você cair num padrão. Se bobear, acaba indo naquilo que já sabe que funciona e se repete.

 Luiz Fernando: O ator tem de surpreender.  

 Débora: Agora faz um elogio a mim? (risos)

 Luiz Fernando: Já fiz vários!

 DE DÉBORA PARA LUIZ: O que você sonhava com a profissão de ator se realizou?

 Luiz Fernando: Eu quis ser ator de repente. Achava que ator podia ter essa vida que tenho, ter colegas, ser feliz.Pensava, será que vou ser bem sucedido? Só isso já é suficiente para eu me sentir feliz, trabalhar com honestidade. Eu poderia parar agora, inclusive.

 Débora: Você pensa em parar?

 Luiz Fernando: Penso toda hora. Tenho um espírito muito vagabundo. Acho a vida ótima. Quando não estou trabalhando tenho muita coisa para fazer, a vida nunca ficou triste. Representar é a coisa que mais gosto na vida, não tenho cansaço da profissão, mas do entorno. Antigamente achava que se saísse um pouco do ar que as pessoas me esqueceriam. Mas as pessoas não te esquecem.

* Em breve neste site esta entrevista em vídeo/ A matéria publicada na revista Serafina está na seção Comportamento  

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